Veja: Ensino estruturado – um modelo pedagógico eficaz

O pesquisador e presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira, escreveu um texto sobre eficácia de métodos de ensino. O tema em geral é ignorado nas Faculdades de Educação no Brasil e cria lacunas importantes na formação dos nossos professores. Há de fato um método de ensino mais eficaz? Qual seria? Há boas evidências que sustentem tal afirmação? O autor tenta responder essas e outras questões. Leiam abaixo um trecho do artigo.

Por João Batista Oliveira:

Veja, 30/03/2016.

Acredito que a maioria dos leitores desta coluna não esteja diretamente ligada à área de pedagogia e, por isso, pode conhecer apenas de passagem alguns termos que figuram no vocabulário da área. Muitos apenas tomam contato com métodos de ensino quando vão matricular os filhos na escola e deparam-se com os modelos pedagógicos mais diversos.

Um deles, muito comum em escolas privadas, é o ‘ensino estruturado’. Ele refere-se a uma forma de ensino sistemática e explícita, baseada não apenas em estratégias didáticas robustas, mas numa organização da apresentação dos conteúdos sob o comando de um professor: o que o professor faz é previamente estabelecido e como reage às respostas dos alunos também obedece a um script mais ou menos flexível – dependendo da qualificação do professor.

É claro que todo ensino implica uma intencionalidade – oposta à ideia de aprendizagem incidental. Nesse sentido, até mesmo os métodos de ensino por descoberta implicam um certo grau de estruturação, mas isso deixaremos para outro texto. Por hoje quero me ater às evidências que apontam o ensino estruturado como o mais eficaz para atingir os padrões de conhecimento exigidos pela sociedade moderna.

Uma revisão maciça a respeito das evidências sobre o que funciona em sala de aula, realizada em 2009 pelo pesquisador John Hattie, demonstra a superioridade de formas organizadas de ensino direto, em contraposição a formas que implicam menos direcionamento, na orientação sugerida especialmente por propostas centradas no aluno ou de base construtivista. Hattie usa o termo “ensino explícito”, para ressaltar a intencionalidade do ato de ensinar.

As evidências sobre a eficácia do ensino explícito, nas suas várias formas, apoiam-se na psicologia cognitiva, que mostra como o desenvolvimento de competências (como a competência para ler, para escrever, para fazer cálculos matemáticos) se dá em três etapas: 1) fase cognitiva; 2) fase associativa; 3)fase autônoma. O ensino diretivo (também chamado de ensino explícito) e o ensino estruturado contemplam essas etapas do desenvolvimento cerebral, de maneira que faça o aluno atingir a fase autônoma.

As evidências mostram ainda que ensinar de maneira intencional, explícita ou estruturada não é sinônimo de ensino autoritário ou unidirecional – comumente denominadas de “ensino tradicional”. Ao contrário, o ensino estruturado permite a estruturação dos conteúdos curriculares e das atividades pedagógicas por meio de materiais didáticos destinados a alunos e professores, o uso dos materiais  adequados e também o acompanhamento e suporte ao corpo docente por meio de mecanismos de supervisão e avaliação. […] O ensino eficaz ocorre quando um professor toma decisões prévias e em tempo real sobre os objetivos do ensino, conteúdos, materiais e estratégias, bem como introduz as alterações de curso necessárias para atingir os resultados previstos. Uma das forças dos programas de ensino estruturado está no alinhamento entre material didático do aluno, com as orientações ao professor e a capacitação docente.

 

http://veja.abril.com.br/blog/educacao-em-evidencia/ensino-estruturado-um-modelo-pedagogico-eficaz/